// Cresce a participação das Mulheres na Construção Civil

Não é mais novidade que as mulheres, além de ocuparem cada vez mais postos formais de trabalho, estão avançando em territórios antes, tradicionalmente, exclusivos aos homens. Uma taxista ali, uma policial lá e a história não muda na construção civil.

Elas são pedreiras, pintoras, eletricistas, engenheiras, arquitetas, corretoras, entre tantas outras atividades que compõem esse mercado. Mas qual é o diferencial delas como profissionais?
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, entre 2007 e 2009, o número de mulheres contratadas nas empresas da construção cresceu 44,5%. Em 2009, o setor registrou um aumento de 32,65% nas contratações, passando para mais de 2,221 milhões de trabalhadores. Desse total, cerca de 172,734 mil eram mulheres (7,78%).

MULHERES DA CONSTRUÇÃO

Esse cenário é impulsionado por diversas iniciativas em todo o Brasil no intuito de formar mulheres para o segmento – já que ele tem ofertado milhares de empregos anualmente, principalmente em tempos de preparativos para Copa do Mundo e Olimpíadas. É o caso, por exemplo, do projeto Mulheres da Construção, uma parceria entre o Sinduscon-CE com a Prefeitura Municipal de Fortaleza e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI/CE).

O projeto, iniciado em julho de 2011, visa à inclusão da mulher no setor através da realização de cursos de capacitação e certificação. A prioridade é qualificar mulheres de comunidades em situação de vulnerabilidade social.

Paula Frota, vice-presidente da Área de Sustentabilidade do Sinduscon-CE e coordenadora do programa Qualidade de Vida, do qual o projeto faz parte, explica que a ideia surgiu tanto pela necessidade de mão-de-obra no setor como pelo fato de as mulheres oferecerem diferenciais. “Elas têm muita vontade de entrar no mercado de trabalho e por ser uma área valorizada, a construção civil representa uma opção para muitas mulheres melhorarem a qualidade de vida”, afirma Paula.

PRESENÇA FEMININA NOS CANTEIROS

Outro diferencial apontado pela coordenadora do projeto é a atenção que as mulheres têm com os detalhes, o que as destaca em trabalhos de pedreira, cerâmica, pintura e acabamento. “São detalhes importantes que resultam em um diferencial para elas. Além disso, a presença feminina muda a cara do canteiro de obras, porque elas promovem uma integração maior e uma humanização do ambiente”, diz Paula.

Mais uma iniciativa nesse sentido é o programa Próximo Passo, uma ação do Governo Federal de qualificação social e profissional de integrantes do Bolsa Família para os setores da Construção Civil e Turismo. Desde 2009, quando o programa foi criado, 33 mil pessoas passaram por cursos de formação para atuarem em empresas da construção. Deste universo, 78,7% foram mulheres. Mais um indicador que aponta para o aumento da participação feminina no setor do País.

FOCO NO DIPLOMA
Não só nos trabalhos operacionais a construção civil se beneficia dos atributos e habilidades femininos. De acordo com Ministério da Educação, as mulheres predominam entre os estudantes universitários brasileiros: dados no Censo da Educação Superior de 2009 apontam que elas representam 55,1% do total de matrículas e 58,8% do total de concluintes na graduação presencial. É de fácil percepção a presença crescente delas em cursos como Engenharia Civil e Arquitetura, por exemplo. Mais mulheres qualificadas circulando no mercado refletem em um número maior de profissionais atuando na área.

Segundo a presidente do Sindicato dos Engenheiros do Ceará (Senge), Tereza Neumam, a mulher que opta pela engenharia já gosta de desafios. “Na engenharia, temos o diferencial porque precisamos nos superar para provar que realmente somos boas e para sermos absorvidas pelo mercado”, afirma.

Tereza acredita que hoje as empresas contratam engenheiras com mais facilidade, mas que ainda sobrevive uma cultura de achar que em algumas situações de trabalho a mulher não é igual ao homem. “O empregador ainda evita contratar quando é para situações de campo, quando o profissional tem de viajar, por exemplo. Mas eu mesma já rodei 5 mil km com pessoal de obra realizando serviços, fiscalizando serviços. Só eu de mulher”, conta.

No ramo da arquitetura, a mulher também sabe se firmar. Para a arquiteta Sâmia Moura, apesar da construção civil como um todo ter uma imagem muito ligada ao homem e à força física, a mulher entra na área com o diferencial da sensibilidade aguçada e com o cuidado com os pequenos detalhes. “A arquitetura é muito procurada pelo sexo feminino por ser uma área que nos permite expressar toda essa sensibilidade nos projetos arquitetônicos, de interiores, decoração ou paisagismo”, diz.

A corretagem de imóveis também entra na lista de profissões ligadas à construção civil que abre as portas para as mulheres. A corretora Cláudia Carvalho diz que a mulher consegue passar mais confiança aos clientes por conta, por exemplo, da sua atenção aos detalhes da negociação, da pró-atividade e da dedicação. “Com um toque feminino os imóveis vão ganhando mais qualidade e sofisticação tanto na área comercial como residencial e na intermediação das vendas”, afirma a corretora, indo mais além ao considerar que a profissão parece ser feita para as mulheres, já que “se encaixa muito bem para aquelas mulheres que tem outras tarefas, como cuidar de casa e dos filhos, pois é um trabalho que dá para organizar o tempo”.
Fonte: Jornal O Estado

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