// Construção civil muda o perfil produtivo da Companhia Siderúrgica Nacional

2012 marca uma mudança no perfil da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Depois de ampliar sua participação na atividade mineradora e aumentar sua receita com exportação de minério de ferro em bruto, a empresa prepara-se para entrar no disputado mercado de aços para a construção civil.

A unidade da siderúrgica em Volta Redonda (RJ) começa a produzir, até o fim deste ano, os chamados aços longos (vergalhões e fio-máquina). O principal produto devem ser os aços voltados para a construção. Com isso, a CSN busca manter-se em um mercado que tem se mostrado mais competitivo no Brasil nos últimos anos. Até então, a siderúrgica concentrava suas forças nos chamados aços planos, utilizados principalmente na indústria, em especial pelas montadoras de automóveis.

Com a produção de aços longos, a CSN entra em um segmento até o momento dominado pela Gerdau e disputado também pelos grupos ArcelorMittal e Votorantim. A nova planta de Volta Redonda é parte de um investimento estimado em R$ 8 bilhões na principal unidade da companhia. A CSN tem procurado manter segredo sobre os principais detalhes do projeto.

A nova unidade vai produzir 500 mil toneladas de aço longo por ano. Outra usina, com a mesma capacidade, será construída em Itaguaí (RJ), onde a siderúrgica também realiza investimentos portuários. Mas a companhia já informou ao mercado que não pretende parar por aí. A CSN quer expandir a atuação nesse segmento com a construção de unidades produtores em outras localidades.

A direção da empresa informa que, além do crescimento normal, a construção vem recebendo o impulso de eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. O crescimento acelerado e o rápido processo de urbanização das economias asiáticas – especialmente China e Índia – também representam uma oportunidade para o aumento dos negócios da companhia nesse nicho.

A construção civil é um dos segmentos mais promissores da economia, defende o analista, Wemerson França, da LCA Consultores. As perspectivas para o crescimento do setor em 2012 são bem superiores – quase o dobro – do crescimento econômico como um todo. De acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, as principais instituições financeiras do país apostam em um crescimento de 5,2% no segmento da construção, contra uma expansão de apenas 2,7% na economia.

Analistas de mercado afirmam que, se quiser mesmo competir no segmento de aços longos, a CSN terá de ampliar a capacidade para além do previsto nos dois novos projetos – 1 milhão de toneladas. A Gerdau, segunda maior fabricante de aços longos no mundo, produz anualmente mais de 20 milhões de toneladas de vergalhões. A produção de aços planos da CSN é de 5,6 milhões de toneladas, das quais mais de 5 milhões de toneladas são negociadas no mercado interno.

No ano passado a CSN exportou cerca de 25 milhões de toneladas de minério de ferro. Outros 11 milhões de toneladas da matéria-prima foram consumidos nas unidades produtoras da siderúrgica no Brasil. A CSN tem planos de elevar sua produção de minério de 40 milhões para mais de 100 milhões de toneladas nos próximos anos.

 

Fonte: Câmara Brasileira da Industria da Construção

Compartilhe nas redes sociais
Highslide for Wordpress Plugin